somneto
na desinvenção de tudo
flores sumiram da janela
e nuvens desceram como
estrelas de intenso brilho
paredes forjaram pavios
e tudo feneceu num oco
de folhas sombreando
uma arapuca de ventos
exasperação do escuro
duma lágrima que bruma
num olhar escarpado
alamedas diluídas num
rosto nômade y noturno
- mordendo espumas
(lau siqueira – poema vermelho)
POESIA DIGITAL
Não sei quando vou publicar meu próximo livro. Nem sei se vou publicar meu próximo livro. No entanto me alegram as visitas que dizem Poesia Sim. Circunstâncias aladas e instantâneas como essa prática de escrever um poema e colocar numa garrafa, jogado-a ao mar. Esse mar de cibercoisas que nem sempre sabemos traduzir com exatidão, apesar das teses, apesar do tesão...
A PALAVRA SAUDADE
Penso que somente tenho saudade das coisas que não vivo. Dos momentos de ternura que não desfruto. Dos amores que não reparto. Dos delírios que me atam no espaço. A palavra saudade, algumas vezes, não machuca... arde!
DENUNCIO!
Minha filha, Mariana, concluinte de Design de Interiores no IFPB, deficiente auditiva oralizada, lamentavelmente foi impedida de fazer teste para estágio em uma empresa daqui de João Pessoa. Mesmo com seu curriculum aprovado e indicado pelo CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola. E o motivo externado pelo CIEE foi exatamente este: é deficiente auditiva e a empresa não aceita! Uma deficiência que não a impede de lidar com destreza com softwares como AutoCAD, Cinema D4 e realizar com perícia, tarefas de renderização, projeto e decoração de ambientes. Vou acionar o Ministério Público.
OS MEIOS DA MENSAGEM
Recebi por e-mail dois poemas de muita contundência. Coisa de calar algumas cabecinhas estreladas da poesia contemporânea. Nunca tinha lido nada da sua autora, Magna Moraes. Com autorização da mesma, cumpro a ousadia de publicá-los aqui no Poesia sim. Imensa é a alegria de tê-la descoberto neste universo cibernético. Os poemas de Magna fecham a boca dos críticos incautos da poesia que hoje circula na rede. É possível sim, num garimpo apurado, encontrarmos textos de qualidade indiscutível. A prova está aqui.
DOIS POEMAS DE MAGNA MORAES
Duelo
Nos dias em que sou santa
lavo os pés do amante
Nos dias em que sou bruxa
lhe cuspo na cara
Sou gota de lágrima
ou língua afiada?
Sou pingo de chuva
ou ponta de faca?
Maria? Messalina?
Canto a noite ou dia?
Faço um filho
ou sigo sozinha?
São Jorge
O galopador de mundo me guia
Para o lado esquerdo das coisas
Em direção à mudez dos astros
E à transparência dos gestos
Palavras: só as onomatopaicas
E nas noites profundas: os risos
Nada para se compreender
Exceto a luz e a sombra do cavalo
Nenhum rastro de Deus
Nem do homem,
que pisou na lua
e se perdeu
(recebi os dois poemas por e-mail da professora e escritora Joana Belarmino. Publico com a autorização da própria autora)
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Escritos de
lau siqueira
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
espasmo
a tristeza
é um lobo mirando
estrelas numa noite
>>>>>>>>sem lua
nunca sabemos
de onde os uivos
arrancarão a pele
e os pelos
do que sibila
no olhar
e tão somente
guarda-se num
vazio íngreme
valente
como quem
todo dia
morre sorrindo
(lau siqueira – poema vermelho)
AS RAZÕES DO POEMA
O poema, não raras vezes, nasce de alguma coisa muito próxima da realidade. No entanto, Pessoa tinha razão. Nunca é mais que algo absolutamente irreal, fingido (ou quase)... As palavras são despidas de sentimentos. Já os sentimentos, não. Nem sempre. Algumas vezes eles nascem na pele das palavras. No tênue de uma derme que não se decompõe nem mesmo no mais absoluto silêncio.
MINICONTOS
Escrevi um texto sobre o livro de Marcelo Spalding e Laís Chaffe, dois escritores gaúchos. Espantou-me profundamente a capacidade que tiveram de publicar uma obra dupla, com tamanha unidade. Marcelo e Laís são gaúchos. Escritores e empreendedores dessa grande ciranda da economia da cultura. Confira aqui o texto sobre o livro! (http://lau-siqueira.blogspot.com/)
CONSCIÊNCIA NEGRA
Hoje participei de uma mesa de abertura de um Seminário da Consciência Negra. Encanta-me sempre a possibilidade de implantação de políticas públicas que sejam a sustentação de ações realmente transformadoras. Desencantam-me as vaidades e as apropriações indébitas da história. Nós, poetas, temos um compromisso histórico com as lutas por igualdade. Os poetas do romantismo brasileiro, por exemplo, eram militantes da vanguarda abolicionista. Estavam ombro a ombro com Zumbi dos Palmares.
POETAS CONTRA A HOMOFOBIA
A violência tem muitas faces. Uma das mais visíveis é o preconceito. Seja de que tipo, de que matiz for... Lá na Feira do Livro eu li na capa de um livreto sobre homofobia, uma frase de Albert Einstein que dizia mais ou menos assim: “que sociedade é esta, onde é mais fácil quebrar um átomo que um preconceito”. No blog do Antônio Cícero, podemos acessar a votação de uma lei contra a homofobia. Visite-o! http://antoniocicero.blogspot.com/2009/11/lei-contra-homofobia.html
IGUALDADE
Hoje ouvi um cidadão falar de utopia, como se utopia fosse o irrealizável. Engano, amigo. As utopias nos ensinam a caminhar pelo mundo, transformando as coisas consideradas imutáveis.
POEMA DE PAUL ÉLUARD
Apenas desfigurada
Adeus tristeza
Bom dia tristeza
Estás inscrita nas linhas do teto
Estás inscrita nos olhos que amo
Não chegas a ser a miséria
Pois os lábios mais pobres te denunciam
Por um sorrisoBom dia tristeza
Amor dos corpos amáveis
Potência do amor
Cuja amabilidade surge
Como um monstro sem corpo
Cabeça desapontada
tristeza belo rosto
(ÉLUARD, Paul. La vie immédiate. Paris: Gallimard, 1981. Tradução do próprio Antônio Cícero, em seu blog cujo link vc pode encontrar aqui no Poesia Sim)
Escritos de
lau siqueira
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sábado, 14 de novembro de 2009
arquipélago
surreal e cingido
como luas vermelhas
numa noite imunda
de estrelas
cuspindo silêncios
espumados no
repouso duma voz
sombria
volúpia das águas
num oceano denso
de estios
(((((((((((((( rio )
(lau Siqueira – poema vermelho)
EU COMI CARPINEJAR
Calma! É verdade, mas não é bem assim. Ocorre que uma das atrações da Feira do Livro de Porto Alegre é o stand Degustação Literária. Os poemas são impressos em um papel especial, de fibra de arroz, com sabores diferenciados. Depois de ler o poema podemos comê-lo. Li e comi um Fabrício Carpinejar. E digo mais: era delicioso.
ELE ERA UM CAVALHEIRO
Estava assistindo a amiga Laís Chaffe no stand da Degustação Literária, onde escritores são chamados para falar dos seus processos e da sua obra, com chapéu de Mestre Cuca e avental. Um senhor sentou do meu lado e começou a recitar Olavo Bilac no meu ouvido e ficou protestando: “ninguém mais recita Bilac! A juventude não conhece os grandes poetas.” Conversamos bastante. Ele é um militar reformado e tem 82 anos. Freqüentador assíduo da Feira. Se chama cavalheiro. (Esse é o espírito da Feira do Livro de Porto Alegre!)
CIDADE POEMA
O sarau Cidade Poema aconteceu na Arena de Histórias, um lugar muito bem transado. Comigo, participaram alguns poetas gaúchos, como José Antônio Silva, Laís Chaffe, Alexandre Brito, Sidnei Schneider, Christina Dias, Laís Chaffe e Paulo Seben. Um bom público na arena, muitos jovens. Não sei descrever o prazer de ter participado deste momento com poetas da minha terra.
O LUCRO DA FEIRA
Eu li algum tubarão lamentando a queda nas vendas em relação ao ano passado. Uma queda acentuada, de 17%. Eles não conseguem ver na Feira outro valor que não o valor comercial. Não sabem o quanto a Feira do Livro de Porto Alegre traz de benefícios para a cidade em muitos aspectos. Também não calculam o movimento da economia da cidade em muitos outors setores, durante a Feira. Desenvolvimento é uma coisa, lucro é outra. A Feira não pode se transformar num supermercado de Best Sellers somente para satisfazer os tubarões do livro e da leitura.
RATOS DE FEIRA
Quando morava em Porto Alegre estava entre os que freqüentavam a Feira diariamente. Não somente para comprar livros, pois não tinha dinheiro para isso. Mas, para respirar cultura junto aos acontecimentos paralelos, às pessoas, enfim... Ontem, das 16 às 20:30h, fiquei com os olhos fixos nos stands e nos balaios. Comprei muitos livros, mas sobretudo saciei a vontade de respirar a Feira. Sequer na Casa de Cultura Mário Quintana (a minha Meca) coloquei os pés. Hoje meu passeio se dará pela Casa, pelos museus e pelo belíssimo Memorial do Rio grande do Sul.
POEMA DE LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
Um dia, meu filho,
disse o velho índio
indicando o topo das árvores
como quem afasta um véu,
tudo isto será céu.
(publicado em adesivo pelo projeto Cidade Poema, lido por mim no sarau homônimo)
Escritos de
lau siqueira
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
todo dia
escrevo
n’água
uma
palavra
eterna
depois
apago
tudo
com o
sopro
das
nuvens
e o rio
corre
corre
corre
morre
nau
fragan
do
silên
cios
(lau siqueira – poema vermelho)
FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
Viajo daqui a pouco. Chego hoje às 12:30, em Porto Alegre. À noite, participo do sarau Cidade Poema na Arena de Histórias do Cais do Porto, juntamente com os poetas gaúchos José Antônio Silva, Paulo Seben e Christina Dias. A mediação ficará por conta dos escritores gaúchos Fernando Ramos e Laís Chaffe. Vai ser tudo de bom! Confira aqui a programação completa da Feira do Livro: http://www.feiradolivro-poa.com.br/programacao.php
PRAÇA DA ALFÂNDEGA
Certamente que antes disso vou procurar meus passos antigos. Certamente que vou encontrá-los esquecidos de mim, ainda presos aos ladrilhos, às folhas das árvores, ao ácaro dos livros que não pude comprar. Era um habitante assíduo da Feria do Livro de Porto Alegre. Mais de vinte anos depois, meu retorno à Feira do Livro é um encontro comigo mesmo. Vou carregado de poesia... vou leve, leve... Certamente que volto mais livre.
EXPOSIÇÃO POEMA EM FOCO
Com apoio da Biblioteca Pública do Estado do RS e em comemoração e dentro das comemorações do Bicentenário do nascimento de Luiz Braille, está acontecendo a exposição "Poema Em Foco, no Castelinho do Alto da BronzeRua Vasco Alves, 437, em Porto Alegre, até o dia 15/11. Sempre a partir das 15:30h, com os seguintes artistas plásticos e poetas: Alexandre Brito, Alice Ruiz, Cairo Trindade, Cláudia Gonçalves, Denis Radünns, Fabio Brüggmann, Glauco Mattoso, Gilberto Wallace, Jaime Medeiros Jr, Jiddu Saldanha, Juliana Meira, Liana Marques, Lau Siqueira, Mara Faturi, Mario Pirata, Nicolas Behr, Renato Mattos, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Rosane Morais, Sandra Santos, Sidnei Schneider, Telma Scherer, Tulio Henrique Pereira.
LER POEMAS
No sarau Cidade Poema vou ler poemas meus e de outros poetas do projeto. Ler poemas é sempre uma incógnita. Não é, logicamente, uma leitura linear. A leitura de um poema ampara-se na leitura de outros textos, na leitura de imagens do mundo, na leitura dos tentáculos de uma vida de muitos olhares e poucos braços. É uma leitura de sabres e plumas...
LIDAS DA LEITURA
Exatamente por não ser uma leitura fácil, o poema cumpre um papel fundamental na formação cidadã. Antônio Cândido já dizia que a Literatura deveria ser um dos Direitos Humanos. Um bom leitor de poemas compreende melhor até mesmo a física quântica. A cidadania plena somente se dá a partir de uma compreensão sensível do mundo, da arte, da ciência e da empulhação que nos cerca.
CIDADE POEMA
Conheça o projeto Cidade Poema, idealizado e executado pela escritora gaúcha Laís Chaffe. O projeto vem espalhando poemas pela cidade de Porto Alegre, seja em outdoors, busdoors, adesivos em elevadores de shoppings, em banheiros, em hospitais, bolachas de chopp. Enfim, um projeto pra cidade viver poesia. Veja o site: http://www.cidadepoema.com/
A POESIA DE ROBERT DESNOS
Nós somos os pensamentos arboresces que florescem nos caminhos dos jardins cerebrais.
Irmã Ana, minha Sant’Ana, você não vê nada vir...
Até o Santa Ana?
- Eu vejo os pensamentos exalarem as palavras.
- Nós somos os pensamentos arborescentes que florescem
nos caminhos dos jardins cerebrais,
de nós nascem os pensamentos.
- Nos somos os pensamentos arborescentes que florescem sobre os caminhos dos jardins cerebrais.
As palavra são nossas escravas.
- Nós somos
- Nós somos
- Nós somos as letras arborescentes que florescem sobre os
caminhos dos jardins cerebrais.
Nós não temos escravos.
- Irmã Ana, minha irmã Ana, o que você vê chegar à Sant’Ana?
Eu vejo pensamentos
Eu vejo crânios despedaçados
Eu vejo mãos desfalecidas
Eu os amo
Eu vejo os pensamentos arreferecem e mulheres amadas
e pulmões com tanto ar e água,
pulmões afogados em pontes inimigas
Mas o momento seguinte já é passado
- Nós somos as arborescências que florescem nos desertos
dos jardins cerebrais.
(P’Oasis, do poeta surrealista francês Robert Desnos. Tradução de Eliza Andrade Buzzo, extraído do Jornal O Casulo)
Escritos de
lau siqueira
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domingo, 8 de novembro de 2009
devassidown
azul de oceania
infinito & invisível
(((((((((()))))()))))))
fumaça em círculos
((((((((((())))))()))))
cinzeiro yellow
de cinzas nicóticas
(((()((((((((((((((((((
certezas e finitudes
do pensamento
))))))))))))))))())))))
somente a arte nos
salva do abismo
))))(((())))(((())))((()
somente o abismo
nos preserva da
memória
(poema vermelho – lau siqueira, para o blog Poesia é Risco)
INFLUÊNCIAS AFETIVAS
Estive lendo uma matéria na revista Bravo 141 sobre uma edição das cartas que o poeta Mário de Andrade trocou com seu tio (na verdade casado com uma prima sua), Pio Lourenço Correa. É inegável a importância de alguns aspectos puramente afetivos na obra de qualquer artista. Mário costumava dizer que o sítio do seu “tio” Pio era a sua Pasárgada. Foi lá, por exemplo, que escreveu obras importantes como Macunaíma. Foi seu tio quem o acolheu na tristeza de ter perdido, precocemente, seu irmão. Enfim... Sentir é também criar. Criar é, sobretudo, sentir = pensar. O poeta pensa o que sente e sente o que pensa.
POESIA E PRECONCEITO
Existe poema racista? Acho que sim. Aliás, tenho certeza. Lembro de um poema de Mário Quintana, dizendo que as “negrinhas” quando tiravam a roupa pareciam ainda estar vestidas. Também um de Oswald de Andrade, escreveu algo que além de racista era homofóbico. Ele escreveu um poema chamado Boneca de Piche, supostamente dedicado ao Mário de Andrade. Um poema motivado pelas desconfianças que mantinha acerca da sexualidade do autor de Macunaíma e pela cor da sua pele. Feio isso, mas faz parte da história da literatura brasileira. Também Raquel de Queiroz fez um comentário infeliz: “Se Mário de Andrade tivesse assumido a sua homossexualidade, teria sido mais feliz.” Ora, quem disse que ele era infeliz?
MÁRIO DE ANDRADE
Admiro profundamente dois modernistas, Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Mário, além de poeta maiúsculo, foi um grande pesquisador da Cultura Popular brasileira. Também foi o primeiro gestor de cultura do Brasil, idealizador do então Departamento de Cultura do Estado de São Paulo. Foi afastado por questões políticas, mas sua herança ainda pode ser percebida. Por exemplo, ele foi o precursor do que hoje é a política de preservação do patrimônio histórico e que resultou no IPHAN e IPHAEPs.
SALA DE AULA
Sou um cara com uma vaidade bastante “esquisotérica”, mas reconheço que algumas coisas me deixam com o riso nas orelhas. Por exemplo, nesta última sexta-feira estive com alunos do Departamento de Letras da UFPB que estão estudando meu livro, Texto Sentido, na cadeira de Teoria da Poesia. Foi um dos momentos mais agradáveis da minha vida de poeta, tenham certeza. Além da turma receptiva e simpática, descobri alguns poetas que vou reproduzindo aos poucos neste blog. Tiramos fotografias, autografamos livros, conversamos descontraidamente... Espero que tenham gostado. Eu adorei. Espero ter contribuído de alguma forma com a formação dessa meninada bacana.
INFLUÊNCIAS AFETIVAS II
Inevitavelmente sempre há quem nos dê a mão para ingressarmos nos processos criativos da Literatura. No meu caso, foi minha irmã, Leceni, hoje professora de Português e Literatura em uma escola pública de Cascavel-PR. Leceni me apresentou aos livros ainda na infância e, mais do que isso, ao prazer da leitura. Por isso, muito mais que poeta, graças a Zeus, sou um leitor de Poesia. Aliás, o leitor é muito mais importante que o escritor, conforme dizia Jorge Luiz Borges. O escritor faz o que pode já o leitor escolhe. O leitor é seletivo, o escritor, nem sempre.
POETAS DA SALA DE AULA
Mais do que o papo agradável com os alunos foi bacana ter descoberto o haikaista Felipe D’Castro e o poeta Alex Luiz Roque. Abaixo, com muito prazer, publico três haikais do Felipe e um poema do Alex. Tem mais gente escrevendo naquela turma, mas a timidez não permitiu o acesso. Espero que, pelo menos, por e-mail, tenham a gentileza de revelar seus dotes ao pobre do Lau Siqueira.
Olhar de verão.
No olho verde a aurora
Almejos de velhice.
(Felipe D’Castro)
Tempestade incessante
A aurora não surge.
Vida de inverno.
(Felipe D’Castro)
Dois de novembro
Do céu, chuva costumeira.
Dia anual do choro.
(Felipe D’Castro)
ESTAGNAÇÃO PELA FALA
.........no corpo da fala
A linguagem é chama que arde em silêncio
Num gesto tantas vezes cobiçado
.........de se conceder
A vingança pela palavra proferida
Em fábula infame numa estética arcaica
..........simplesmente muda
E teorizada à bala numa sílaba certeira.
(poema de Alex Luiz Roque)
PONTO FINAL
Concluo refletindo sobre a magnitude de reconhecer que esses meninos estão escrevendo melhor que muito marmanjo pretensioso que freqüenta a mídia por uma questão de circunstância. A Poesia, nossa musa preferida, sempre é bem maior que os poetas. Ah, antes que esqueça: o Ponto Final é um círculo... representa, pois, algo interminável.
Escritos de
lau siqueira
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
inconclusivo
vida
palavra que não
adjetiva
maiúscula ou minúscula
antes ou depois
da vírgula
viga icônica
dos sentidos
sopro que às vezes
dói
outras vezes libido
de pássaro
solamente
f
.....l
.........u
.............i
(poema vermelho – lau siqueira)
LUIZ FERNANDO PRÔA
O querido poeta Luiz Fernando Proa nos convida para caminhar pela Paz e contra a Hipocrisia, no próximo dia 8, domingo, às 14 horas, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Toda a nossa solidariedade ao amigo poeta! Luiz vive momentos tristes para todos nós e, certamente, a maior provação da sua vida. Seu filho, viciado em crack, matou uma amiga que queria apenas ajudá-lo. Essa marcha é de todos nós! Somos poetas de uma sociedade em guerra consigo mesma. Se alguém desejar receber a carta comovida, lúcida, doída, sobretudo sincera, do poeta Luiz Fernando Prôa convocando a manifestação, encaminhe o pedido para lausiqueira@yahoo.com. Que esta luta seja de todos e todas nós.
55ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
Saiu a programação. Estarei dia 12, às 19h, no Armazém A1 do Cais do Porto, com Laís Chaffe, Edson Cruz e Estrela Ruiz Leminski no sarau Cidade Poema. Para conferir a programação completa, entre no link http://www.feiradolivro-poa.com.br/programacao.php
POESIA E AS NOVAS MÍDIAS
Se estivesse pelo Rio, jamais deixaria de fazer esse curso oferecido pelo André Vallias. Maiores informações no site Pólo do Pensamento www.polodepensamento.com.br Veja o programa: 10/11: Poesia Concreta. Ideograma, alfabeto fonético e a pós escrita; 17/11: Os primeiros poemas feitos em computador. Permutação, recursão e cibernética; 24/11: Do poema semiótico à poesia genética. A biologia da comunicação. 01/12: Nomadismo, oralidade e pluri-linguismo no espaço “ciberal”. Os bastidores de um poema interativo.
PAPOESIA
Já Faz algum tempo que as turmas de Letras da UFPB são apresentadas à minha “indigência poética” (como diria Francisco Carvalho). Tenho vendido livros (a preços popularíssimos) aos alunos. Dia 6 próximo, a convite do professor Amador Ribeiro Neto, também poeta, crítico e doutor em semiótica, vou encontrar as turmas, para um bom papoesia.
A POESIA DE JOSÉ MARTÍ
Tudo é formoso e constante,
Tudo é música e razão,
E tudo, até diamante,
Antes da luz, é carvão.
Sei que o néscio se enterra
Com grande luxo e pranto, -
Mas não há fruta na terra
Como a do campo santo.
Calo, entendo, e me dispo
Da pompa do rimador:
Penduro em arve sem viço
Minha cabeça beca de doutor.
(do livro Versos Singelos, do cubano José Martí traduzido pelo poeta gaúcho Sidnei Schneider. Deste livro surgiu a letra de uma das canções mais populares do mundo, Guantanamera.)
Escritos de
lau siqueira
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
teatro
o bobo triste
fingiu que iria ao cinema
(suspiro)
não partiu por dentro da
noite absurdamente lua
(pigarro)
candeou as estrelas
com seu berimbau
(uau)
perdeu as trilhas
nas sinfonias do ar
(do bar)
(poema vermelho – lau siqueira)
LUIZ DE ALMEIDA
Uma grande pesquisa sobre o Modernismo Brasileiro. Assim é o blog Retalhos do Modernismo, de Luiz de Almeida. São textos e mais textos sobre o movimento de 1922 que tracionou a poesia contemporânea para fora dos dogmas literários. Um movimento que cresceu alimentado pelas vanguardas e por uma tradição que se eternizou pela atemporalidade. Não conheço outro espaço na internet com tamanha carga de informações sobre um mesmo tema. Confira!
FEIRA DO LIVRO
A Feira do Livro de Porto Alegre sempre foi um lugar sagrado pra mim. Não apenas para comprar livros nos balaios, em tempos duros. Mas, por ser um ambiente agradabilíssimo para .passear, encontrar os amigos e amigas, encontrar pessoas interessantes. Enfim, a Feira do Livro sempre me pareceu um tipo de civilização literária pampeana, dialogando com o mundo.
FEIRA DO LIVRO I
Alguns dos poucos livros que trouxe de Porto Alegre, comprados na Feira do Livro há mais de 25 anos, ainda estão comigo. Por exemplo, “À sombra das raparigas em flor” (Em busca do tempo perdido), do Marcel Proust, numa edição da antiga Editora Globo, com tradução de ninguém menos que Mário Quintana. Pérolas acessíveis para quem buscava qualidade e não a sofisticação.
FEIRA DO LIVRO II
Meu reencontro com a Feira do Livro, dia 12 de novembro próximo, se dará numa leitura de poemas com a gaúcha Laís Chaffe, o paulistano Edson Cruz e a paranaense Estrela Ruiz Leminski. É o sarau do projeto Cidade Poema. Depois me imagino caminhando pela Praça da Alfândega, paquerando edições raras, respirando aquele ambiente onde a literatura é o centro da cena. Me imagino visitando o Castelinho, onde participo de uma exposição e catálogo, a convite da artista plástica Sandra Santos e do poeta Alexandre Brito. Enfim...
PORTO ALEGRE
Estive participando do PortoPoesia2, um evento interessantíssimo que reúne poetas do Rio Grande do Sul inteiro em debates, recitais, performances. Um evento bonito de se viver. São dias e dias de Poesia. Ano passado o evento aconteceu no Shopping Total, este ano, o PortoPoesia3, aconteceu num lugar mais poético: a Casa de Cultura Mário Quintana. Praticamente no mesmo período, acontece em Bento Gonçalves o Congresso Brasileiro de Poesia, um outro evento de tradição na Serra gaúcha.
MÁRIO QUINTANA
Uma das lembranças mais doces que tenho de Porto Alegre tem a ver com um recital do Mário Quintana, na Biblioteca Pública Municipal (literalmente lotada!). Na verdade, eu era um freqüentador assíduo de espaços como a Biblioteca Pública, o Museu Julio de Castilhos (onde assisti filmes incríveis) e a Discoteca pública Natho Henn.
POEMA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO
A folha branca é a tradução
mais aproximada do nada.
Por que romper essa pureza
com a palavra não milpesada?
A folha branca não aceita
senão a que acha que merece:
essa só sobrevive ao fogo
desse branco que é gelo e febre.
(O fazer poético, poema de João Cabral de Malo Neto. Colhido no livro Análise e Interpretação de Poesia, de José de Nicola e Ulisses Infante. Editora Scipione, coleção Margens do Texto)
Escritos de
lau siqueira
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
macambúzio
.................a solidão
é um passo inseguro
pra dentro dos próprios
..................muros
e é como se em nada
além das palavras
..............houvesse luz
a solidão é esse barco
que jamais naufraga
ou sai da deriva
e no raso
que se espalha
protege fere e abriga
(lau siqueira – poema vermelho)
PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS
Nem sempre o poema é apenas um artefato de linguagem. Algumas vezes, transborda nas escamas do peito. Quando escrito vira mesmo linguagem. No máximo, mergulha num silêncio absoluto. Coisas sentidas com o pensamento, e pensadas com o sentimento. Algumas vezes é como se o poema não estivesse sendo escrito, mas expelido da alma. Confessa algo? Logicamente que sim, mas... como sufocar o que transborda? Escrever poemas é, entes de tudo, transbordar-se. (Os distanciamentos de tal raciocínio, talvez sejam os mesmos entre o poema e a poesia.)
PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS I
Que poema não é confessional? Sinceramente, existem alguns mitos em poesia que precisariam ser, minimamente, questionados. Nada como um bom debate para que possamos usufruir desse dom maravilhoso que é o pensamento. Mas, o pensamento não pode, absolutamente, apresentar-se como algo estático. Pensamos na medida em que vivemos. O pensamento deverá ser necessariamente, o suporte para uma vida melhor, para uma poesia melhor...
PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS II
Um amigo que admiro muito me fez uma provocação necessária. Lendo alguns tópicos do Poesia Sim, ele sugere um ensaio sobre o comportamento da crítica hoje, com suas vertentes virtuais e, algumas vezes, com erupções eruditas absolutamente desnecessárias e falsas. Ele tem toda razão quando afirma que, em alguns textos críticos, não sabemos o que realmente está posto. Algumas vezes parece que o ensaísta quer apenas chamar atenção para a profundidade rasa do próprio umbigo.
PROVOCAÇÕES NECESSÁRIAS III
Questiona-se sempre a qualidade da literatura que é, diariamente, despejada aos montes em blogs e sites. Realmente, a grande maioria não passa de exercício pessoal. O que não é negativo, de forma alguma, porque a nossa juventude jamais escreveu tanto. Isso já vale uma vida inteira! No entanto, devemos questionar, também, a qualidade da crítica que se apresenta como dona da verdade. Geralmente, sem o embasamento teórico necessário, emitindo opiniões bastante rudimentares. Ao invés de contundentes, esses “críticos” conseguem ser, apenas, grosseiros. Se pensarmos a fundo, realmente a internet é a bola da vez na divulgação da boa e da má literatura. Por aqui, encontramos praticamente toda a produção contemporânea. Mas, tanto em termos de literatura quanto de crítica literária, peneirar é preciso.
OS MAUS EXEMPLOS
Não acho que Arnaldo Antunes esteja, pelo menos, entre os dez poetas mais contundentes do nosso tempo. No entanto, respeito a sua produção poética. Mas, entre outras coisa,s o que acho inadmissível em termos de “crítica” é a publicação de textos como os de um tal Paulo Polzonof. Há alguns anos, no jornal paranaense Rascunho. Paulo gastou dois parágrafos referindo-se ao cabelo de Arnaldo de forma preconceituosa e pejorativa. Isso é crítica? Não tive estômago para ler o resto.
REAGIR É PRECISO
É claro que o jornal não sofreu qualquer abalo com o meu protesto, mas solicitei imediatamente o cancelamento da assinatura que, por sinal, era uma cortesia. Lembro que, na época, o editor me escreveu argumentando que aquele seria um espaço importante para a minha poesia. Eu respondi argumentando que esses espaços não me interessavam. E a prova definitiva veio logo após, com um texto ainda mais grosseiro, chamando Sebastião Uchoa Leite de “empilhador de sílabas”. O texto era do mesmo Polzonof. Provavelmente um cidadão muito mais vaidoso que apaixonado por Literatura. Certamente muito mais grosseiro que contundente.
A POESIA DE SÉRGIO DE CASTRO PINTO
o lápis
é um caniço
pensante
na maré
vazante
da linguagem
(O Lápis, poema do paraibano Sérgio de Castro Pinto. Do livro O Certo da Memória)
Escritos de
lau siqueira
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sábado, 24 de outubro de 2009
para nosotros
uma vida bem pequena
e um grande e luminoso
........................caminho
um lugar onde
andando é que se fica
e o que chega
permanece andando
até que os pés em ruínas
......................virem asas
(lau siqueira – poema vermelho)
JOSÉ SARAMAGO
“Não há diferença entre a escrita de um blog e a escrita literária", afirmou recentemente o escritor português José Saramago ao jornal Folha de São Paulo. E conclui: “Creio que para o público é indiferente esse debate. Querem ler coisas de qualidade e idéias." Claro que aqui enxuguei a resposta desse menino de 87 anos, ligado nas coisas do seu tempo. Saramago possui um blog, já divulgado por aqui. Confira! http://cuaderno.josesaramago.org/
JOSÉ SARAMAGO I
Um clássico contemporâneo. Poderíamos definir assim o escritor português. Com suas provocações e sua coragem estética, Saramago poderia muito bem ir dormir em paz todos os dias. Mas, ele sabe também das suas responsabilidades e não cala diante da ameaça ao mundo que certas lideranças políticas representam. Por isso não cansa de denunciar o fascismo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.
LITERATURA E POLÍTICA
Geralmente a escrita panfletária é de baixa qualidade. Esta é uma verdade, por enquanto, inabalável. No entanto a presença de grandes escritores na política nunca foi novidade. Drummond era do Partido Comunista, assim como Ferreira Gullar. Graciliano Ramos foi prefeito de Palmeira dos Índios(AL), Menotti Del Pichia, foi deputado. Mário de Andrade foi o primeiro gestor de cultura do país. O comunista Saramago não poupa os inimigos da raça humana. Certamente que as idéias influenciam a escrita, mas a política não determina a qualidade da literatura. Ezra Pound escorregou e aderiu o fascismo de Mussolini. E ainda há quem questione esse direito aos artistas e intelectuais.
POETAS DO FASCISMO?
Aqui em João Pessoa mora um poeta que, quando a direita governava a cidade era um ser silencioso. Agora resolveu combater a gestão cultural empunhando a idéia mofada e reacionária da impossibilidade de artista exercer cargo público e exercitar politicamente sua cidadania. Recentemente, na II Conferência de Cultura, este poeta (cujo nome não vale citação) cometeu deselegâncias e injustiças públicas contra o cantor e poeta Chico Cesar, presidente da Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE. Foi desmentido imediatamente, ainda bem. Será que a poesia também possui seus Berlusconis? Logicamente que sem a genialidade de um inventor, como Pound.
O QUE É POESIA?
São 45 poetas brasileiros, portugueses e hispano-americanos que respondem esta pergunta num livro cuja edição foi organizada pelo poeta Edson Cruz. Um documento importante da cena poética contemporânea, um livro imprescindível. Já nas livrarias! Leia mais a respeito no site da Editora Confraria do Vento, http://www.confrariadovento.com/editora/livro21.htm
ANTOLOGIA SONORA DA POESIA PARAIBANA
Eis os poetas: Águia Mendes, André Ricardo Aguiar, Angélica Lúcio, Antônio Mariano, Astier Basílio, Bila, Bráulio Tavares, Chico César, Chico Lino Filho, Edônio Alves do Nascimento, Fidélia Cassandra, Hildeberto Barbosa Filho, Irene Dias Cavalcante, Jomar Morais Souto, José Antônio Assunção, José Nêumanne Pinto, Linaldo Guedes, Lúcio Lins, Marcos Tavares, Paulo Sérgio Vieira, Pedro Osmar, Políbio Alves, Ronaldo Monte, Saulo Mendonça, Sérgio de Castro Pinto, Terezinha Fialho, Valquíria Lins, Vanildo Brito e Vitória Lima. A apresentação do CD é minha. O lançamento foi ontem, sexta, no Sebo Cultural em João Pessoa. Convidado, preferi não participar. Sou um péssimo leitor dos meus poemas.
A POESIA MUSICAL DE ZEH ROCHA
Do caos
nada flui assim
alma cigana andaluza
que vê além
do céu que cruza
mago queribim
voz tribal que avança
Page e mandarim
A voz é linha crua
tece rima o mote
blues baião e xote
na renda da cantoria
verso com sabedoria
serpenteia a presa nua
na hora mortal do bote
Xamã! A loa eé feito imã
espada de raio laser
afasta o mal sem fim
xamã! Jardineiro das orquídeas
guardião do amanhecer
apronta mais uma pra nós
apronta mais uma pro mundo merecer
Canto de palo seco
desafio meu repente
magia talismã
som de patuá
a boca é um tambor
batuca a mão no peito
improviso na levada
Fagulha ligeira
pedra de amolar
xamã
(Xamã, poema que é, também, letra de música (um bom debate, aliás). O autor é o pernambucano Zeh Rocha, amigo e parceiro, Lenine. Juntamente com Zeh Rocha e Cláudio Noah, a atriz Suzy Lopes e a poeta Renálide de Carvalho, participei ontem de um momento lindo do Aldeia SESC, lendo poemas, ouvindo poemas e boa música diante de uma platéia atenta e lotada. No final, dançamos ciranda.)
Escritos de
lau siqueira
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
águas que pulsam
pululam aos ubres
na noite insalubre
(lausiqueira - terceto para o blog Poesia é Risco)
POESIA É RISCO
O terceto acima é, na verdade, um haiquase. Foi escrito em no celular e enviado para minha amiga Luyse Costa, com quem mantenho o blog Poesia É Risco. Todo sábado postamos um poema (eu) e um desenho (ela) com tema previamente escolhido. O tema do próximo sábado é “bailarina” que, certamente, não terá a mesma origem eletrônica. Mas, que tal criarmos o hábito de escrever poemas curtos para enviá-los aos amigos, pelo nosso telefone celular?
UM RONDEL SIMBOLISTA
Paul Verlaine, um dos mestres simbolistas, dizia que o simbolismo era, acima de tudo, música. Lendo o poema abaixo, do poeta simbolista português, se pode perceber o quanto há de verdade nisso. Essa organização do poema em três estrofes, com repetição dos primeiros versos em pontos específicos de outras estrofes, forma um tipo de composição poética chamada rondel. O rondel é uma forma poética de origem medieval, muito usado na França. Todo rondela apresenta apenas duas rimas e no tempo de Camilo Peçanha, em Portugal, o rondel de 13 versos era muito popular entre os poetas.
Ao longe os barcos de flores
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranqüila,
- Perdida voz que entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora.
Na orgia, ao longe, que em clarões sintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranqüila.
E a orquestra? E. os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila?
A flauta flébil.. Quem há de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
(poema de Camilo Peçanha, considerado o maior poeta simbolista português. Nasceu em Coimbra, em 7 de setembro de 1867 e morreu em Macau, no dia 1 de março de 1926)
A POESIA NÃO DISFARÇA
Tá certo, Pessoa. O poeta até pode ser um fingidor. Jamais um farsante. Porque a Poesia não disfarça. A Poesia não tem meio termo. Isso porque a linguagem da Poesia é a própria vida, com suas semânticas desavisadas, com suas imersões sem retorno... cada vez mais fundo, cada vez mais fundo... tudo!
O NOME DELE É KALUNGA
O apelido vem da infância: Kalunga. Sua mãe, Dona Maria, chamava Carlos Heráclito. Seu pai, Seu Sabino, chamava mesmo Kalunga. Eram vizinhos da minha infância, em Jaguarão. Agora reencontro Kalunga, provavelmente depois de 40 anos. Ei-lo! Veja seu blog,
POESIA SIM
Não foi para disfarçar que coloquei o nome do blog de Poesia Sim. Precisava de umas idéias afirmativas como estímulo para seguir em frente. Então, por algum motivo, escolhi Poesia Sim como título do presente blog. Mas, certamente que é muito mais do que isso...
VOU PRA PORTO ALEGRE, TCHAU!
Está chegando o dia 11 de novembro, quando estarei embarcando para Porto Alegre para uma participação na Feira do Livro. Cidade Poema é o título do sarau que terá também a presença de Laís Chaffe, Edson Cruz e Estrela Ruiz Leminski. Vamos ler poemas, principalmente de Paulo Leminski e Alice Ruiz. Também participo de uma exposição no Castelinho, com artistas plásticos de Porto Alegre, a convite de Sônia Santos. Confira os autores convidados!
ALDEIA SESC
Também nesta sexta-feira estarei participando do Aldeia SESC, num sarau com a atriz Suzy Lopes e o poeta pernambucano Celso Noah. Será a partir das 17:30, no SESC.Centro, em João Pessoa-PB. Ainda na sexta, será lançado o CD.
POEMA DE RODRIGO DE SOUSA LEÃO
Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana
O que é grande
É a arte
Há vida em marte
(Tudo é pequeno. Poema de Rodrigo de Sousa Leão, amigo poeta falecido precocemente. Colhido do blog Lowcura - http://lowcura.blogspot.com/)
Escritos de
lau siqueira
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07:34:00
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